quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Talentosas e de beleza angelical, as irmãs Olivia de Havilland e Joan Fontaine

Muito se escreve sobre a rivalidade existente entre as irmãs Olivia de Havilland e Joan Fontaine. Eu não quero aqui relatar os desentendimentos entre as duas atrizes, porque isso já foi demasiado comentado. Vou antes refletir sobre as suas carreiras e fazer algumas comparações.



Eu amo estas duas mulheres e, no entanto, eu só me interessei por elas recentemente. Olivia já fazia parte do meu conhecimento desde que vi, por volta dos meus 13 anos, Gone with the wind (1939) pela primeira ou segunda vez. Eu fiquei mais encantado pela doce Melanie do que pela guerreira Scarlett. Até 2014 não me interessei por Olivia como personalidade. Apenas com Rebecca (que vi pela primeira vez em 2013) é que conheci Joan Fontaine e, a partir daí, o meu interesse por Olivia foi aumentando paulatinamente (julgo eu). O interesse por Joan foi mais imediato. Afinal, quem não se apaixonaria pela atriz ao ver Rebecca. Neste momento, eu sou fã das duas.

Olivia e Joan em bebes



De beleza angelical, as duas atrizes provêem de famílias endinheiradas e tiveram, desde sempre, uma boa educação. De facto, ambas foram boas alunas, merecendo Joan o maior destaque. Parece-me que Olivia era considerada, nos tempos do estrelato, mais bela que a sua irmã mais nova. Eu, no entanto, ocupo o lugar do contra. Joan é uma beleza.
Se Olivia é a cara de anjo, revelando uma certa energia proveniente do seu sempre presente sorriso, Joan é a doce e frágil donzela desorientada em Manderley.

Jovens e idosas, as irmãs de Havilland são obviamente elegantes

A partir do momento em que vi Rebecca, assisti Suspicion, também com Joan Fontaine. Recentemente assisti The Heiress (1949), com Olivia, A letter from a unknown woman (1948), com Joan, Hush... Hush, Sweet Charlotte (1964), The dark mirror (1946) e The adventures of Robin Hood (1938) com Olivia novamente. Enfim, uma espécie de maratona, estando Olivia em vantagem.
Olivia tem uma melhor carreira que Joan. Mais substancial. Ok, Gone with the wind é logo um trunfo, mesmo que a irmã morena não seja a protagonista. É o filme mais icónico de entre todos os que ambas as irmãs fizeram.

Maravilhosa Olivia como Melanie Hamilton em Gone with the Wind. Este vestido azul é lindíssimo, mas infelizmente quase que não aparece no filme. Além disso, no momento em que aparece, passa quase desapercebido.

A par da mega produção de 1939, Olivia integra o elenco de The Adventures of Robin Hood, outro clássico memorável (o seu rosto é de uma beleza fascinante neste filme).

Olivia em The adventures of Robin Hood

The Heiress é uma maravilha. Realizado pelo profissional William Wyler, este filme tem a icónica cena em que uma mulher amargurada sobe a escadaria com a lamparina, deixando um desesperado pretendente a bater à porta da mansão. Olivia recebeu justamente o óscar de melhor atriz pela sua performance. Este foi o seu segundo óscar, tendo sido o primeiro recebido pelo seu desempenho em To each his own (1946). A interpretação de Olivia é soberba. Como ela está feia! Ela tinha de ser feia no papel de Catherine Sloper. E não nos esqueçamos que a jovem era bem bonita. "I have been taught by masters!" é a frase do filme!

Olivia na cena final de The Heiress

Hush... Hush, Sweet Charlotte é uma imitação bem conseguida de What ever happened to baby Jane? (1962), mas inferior a este último. Olivia faz de uma sombria e elegante senhora na perfeição na companhia de Bette Davis. É conhecida a amizade de Olivia com Bette, amigas de longa data e ambas estrelas da Warner Brothers.

Olivia com o seu namorado James Stewart, esse maravilhoso ator, e a sua amiga, a talentosa Bette Davis

Olivia fazendo uma surpresa num programa de televisão a Bette Davis

O filme The dark mirror é adorável. Inferior ao The Heiress mas adorável. Olivia consegue duas interpretações fantásticas ao interpretar as gémeas Tierry e Ruth. Tão diferentes e no entanto iguais. Repare-se nas diferentes expressões que ela faz em planos em que ambas as gémeas aparecem. Fantástico!

Olivia em The dark mirror. Veja-se as diferentes expressões.

The adventures of Robin Hood é o arquétipo de filmes de aventuras. Embora não faça o meu género, o filme tem charme e cenários de sonho.


Embora a carreira de Olivia seja superior à de Joan, o melhor filme, na minha opinião, de entre todos os que as duas irmãs fizeram, é Rebecca. Joan brilhou mais do que nunca com o filme que lhe é mais associado. A sua fragilidade é comovente. 


Joan em Rebecca com a sinistra Mrs Danvers.

Suspicion é obviamente inferior a Rebecca mas quanto mais vejo esse filme, mais gosto dele. A fragilidade de Joan serviu-lhe mais uma vez para fazer um papel de sonho. A sua beleza não está tão deslumbrante quanto em Rebecca mas a sua interpretação está bem acima do razoável. A insegurança transmitida por ela é tão poderosa que é capaz de envolver o espectador de um modo assustador. A audiência torce por ela, rala-se com ela. Com Suspicion, Joan ganhou o seu único óscar de melhor atriz, tendo recebido o cobiçado prémio primeiro que Olivia.

Joan com Cary Grant em Suspicion

Ao inicio, estava a gostar bastante de A letter from a unknown woman. Meu deus, achei a ideia romântica e triste, muito apetecível. Uma menina doce e frágil, como só Joan Fontaine sabe representar, a “fazer amor” com um músico enquanto ouve a sua música e espreita a sua casa. Eu pensei que nunca se iriam conhecer muito bem e que ele leria a carta sem saber quem era a mulher. Achei a ideia romântica, embora melodramática demais. Bem, o filme acabou por desiludir… e porquê? porque não foi isso que aconteceu e, pior ainda, tomou um rumo demasiado improvável e mesmo ridículo. O facto de ele não a reconhecer, mesmo que ela tivesse sido pouco importante para ele, é muito estranho… E eu achei que ele havia gostado mesmo dela e por isso mais estranho achei ele não se lembrar dela. Bom, eu não considero o filme tão bom como ele é considerado, embora reconheça três trunfos poderosos: a música, o trabalho da câmara e a interpretação de Joan Fontaine. Eu amo essa atriz. É de uma sensibilidade extremada. 

Joan em A letter from a unknown woman


Embora eu só tenha visto três filmes de Joan, julgo que assisti àqueles que são mais conhecidos. Embora ela esteja bem em todos eles, há uma coisa que me decepciona. É o facto da irmã loira fazer sempre o mesmo género de papel. A mulher apaixonada e insegura! Cabe-lhe bem mas gostava de a ver noutro registo. Sei que fez de vilã em filmes com Ivy (1947) mas nunca assisti. Olivia teve uma carreira em que pôde demostrar uma maior versatilidade. E, de facto, julgo que ela era mais versátil. The dark mirror é o melhor exemplo para se ver isso.

As duas irmãs maravilhosas

Gostava de ler o livro Sisters: The Story of Olivia De Haviland and Joan Fontaine, de Charles Higham e a autobiografia de Joan Fontaine, No bed of Roses (título melodramático demais).

Duas maravilhosas atrizes. Uma pena que se tenham desentendido. Parece que a vida lhes deu muitos anos para se poderem reconciliar. Infelizmente não aconteceu. Provavelmente, a rivalidade e o ressentimento foi desaparecendo, mas o orgulho e a indiferença de uma em relação à outra desmotivaram em ambas a vontade de comunicar-se.Deixaram-nos belas interpretações. Olivia, de donzela em perigo nos filmes com Errol Flynn, passou a uma diversidade de papéis espantosa.

Olivia em Captain Blood (1935)


Joan, conhecendo, com Rebecca, o estrelado pouco depois da sua irmã, mas de um modo gigantesco, ficou, infelizmente, limitada à imagem de menina inocente. Infelizmente, no livro Leading Ladies: The 50 Most Unforgettable Actresses of the Studio Era, Joan, ao invés da sua irmã, não está incluída. Entendo que Olivia seja uma celebridade mais conhecida que Joan. Mas esta última colocou uma emoção tão intensa nas suas personagens que deveria estar incluída na lista.

Joan em Rebecca

Duas divas maravilhosas que representaram personagens de um modo soberbo. Olivia é a eterna Melanie, a doce e feliz jovem que recebe num gesto de bondade a egoísta Scarlett. Joan é a eterna Mrs De Winter, que anda desorientada em Manderley, assombrada pelo fantasma de Rebecca.

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