segunda-feira, 8 de junho de 2015

Os melhores musicais da era clássica de Hollywood

Eu era para colocar a minha lista de musicais favoritos no post anterior mas já estava muito longo. Sendo assim, apresento os meus musicais favoritos pertencentes ao período clássico de Hollywood. Alguns resultados podem surpreender, mas isto é uma lista pessoal. Eu não quero saber se o filme é bom ou mau, sendo que me baseio apenas no prazer que ele me gera.

A lista é aleatória no que respeita à preferência. Assim, vou colocar do mais antigo para o mais recente.

Top Hat (1935)




A história é simples, roçando a idiotice e o ridículo, mais isto é o pior que se pode dizer de Top Hat. Ou melhor, isto é a única coisa má que se pode mencionar, visto o filme ser repleto de beleza e alegria. E, vale dizer, que a própria simplicidade da história acaba por revelar-se um aliado à magia do filme, visto a trama ser deliciosa. É diversão pura. Os números musicais são de uma harmonia soberba. Check to Check é o auge do filme, para mim (e para muita gente, acredito).


The Wizard of Oz (1939)





A história tem o problema de ser grandemente conhecida e repetitiva (caminha na estrada amarela, encontra o espantalho, caminham na estrada amarela, encontram o homem de lata, caminham na estrada amarela, encontram o leão, caminham na estrada amarela e chegam a Oz). Acontece que Judy Garland é capaz de elevar o filme ao patamar de "delicioso". Ela encarna Dorothy de um modo absoluto. Ela é doce, expressiva e parece mesmo querer conhecer um reino mágico para lá do arco-íris. A cor do filme é um protagonista e a música não fica atrás. Over the rainbow é só considerada a música número 1 do cinema pelo American Film Institute e é simplesmente magnífica. We' re of to see the wizard é outra maravilha assim como outras músicas.


Ziegfeld Girl (1941)





Ziegfeld Girl não deve estar na lista de musicais favoritos de ninguém a não ser na minha. Eu sei que o musical que tentou obter o êxito (e julgo que não conseguiu) de The Great Ziegfeld (1936) não é de uma qualidade excepcional. Aliás, o argumento é um pouco vulgar e o filme chega a ser aborrecido por ser tão longo. Mas a primeira metade é uma delícia (e a cena em que Lana Turner desce as escadas antes de desmaiar também está bem conseguido). A música You steep out of a dream é bonita e capta o glamour das follies mas a voz de Tony Martin é um aborrecimento. Muito monocórdica e aborrecida. Apesar de tudo, este é o meu momento favorito do filme. Embora seja um musical, as melodias não são muito conhecidas e a Judy, embora cante bem, como sempre, não salva o número Minnie of Trinidad, que é uma seca completa. I always Chasen rainbows é bem mais linda e quando é cantada lentamente por Judy, o filme quase que aparenta tratar-se de um muito bom musical.


Meet me in Saint Louis (1944)





Eu confesso que a narrativa deste filme colorido desiludiu-me. Ele é tão citado e querido, que eu esperava ver uma obra de arte. Mas não. Achei a história vazia, simples, ausente (onde está a história?). Acontece que eu o coloquei aqui porque as amo as melodias. Amo duas delas que atribuem ao filme um valor apreciável: The trolley song e Saint Louis (não sei se é este o verdadeiro nome), a do genérico. Judy Garland considerou-se bonita pela primeira vez num filme neste Meet me in Saint Louis. Bem, eu não posso concordar. Judy já havia mostrado a sua beleza, que era mais do que aquela que ela acreditava ter, em Babes on Broadway (1941).


Cover Girl (1944)





A Columbia esmerou-se. Foi capaz de fazer um musical ao nível dos da MGM. O próprio genérico é representativo de que se está prestes a ver um grande filme. Inovador, com uma imagem em tons rosas e verdes em movimento. Os números musicais são muito bem feitos e acompanhados por uma música agradável (o momento em que várias modelos de revista desfilam até aparecer Rita Hayworth como a nova cover girl é o apogeu do filme). Embora a história seja óbvia e simples, o espetáculo musical torna o filme um tesouro de entre os filmes musicais e Rita Hayworth mostra, pela primeira vez, julgo eu, o seu belo cabelo mais ruivo que nunca.


Easter Parade (1948)





Que filme tão agradável e alegre. Nele predomina o cor-de-rosa, uma das minhas cores favoritas. O genérico em fundo lilás tem a agradável música Easter Parade, aquela que irá ser cantada no final por Judy Garland a Fred Astaire antes de irem até à parada da Páscoa, num dos finais mais alegres e bonitos do cinema. As melodias e a história cumprem um ótimo papel e o par Astaire-Judy é formidável. E deve referir-se a maravilhosa presença de Ann Miller que tem neste filme a sua cena cinematográfica mais famosa: a dança de sapateado ao som de Shaking The Blues Away. Ann Miller dança divinamente enquanto mostra um dos vestidos de show mais belos que o cinema já deu a conhecer: uma saia amarela em harmonia com um top preto e umas belas luvas da cor da saia.


On the town (1949)





Que musical alegre, divertido e, quem diria, com suspense! Gene Kelly formidável como sempre e Frank Sinatra cheio de charme, mesmo quando faz de marinheiro tímido. O grupo das três raparigas é muito bom, todas impecáveis. Ann Miller mais uma vez formidável. É uma pena nunca ter chegado a ser uma grande estrela. Dançava de maneira espantosa.


Singing in the rain (1952)





O filme musical dos musicais. A alegria está patente em todos os planos, ou quase todos. Se não bastasse essa qualidade tão bela e tão costumeira nos musicais, Singing in the rain conta com uma maravilhosa trilha sonora, uns cenários de sonho e uma aula de história do cinema bem humorada mas não menos didática.


Gentlemen prefer blondes  (1953)





Uma comédia que eu gosto muito. Piadas secas, mesmo pouco inteligentes mas como são feitas pela Marilyn tornam-se imensamente engraçadas. A química entre Jane Russell e Marilyn é mais que evidente e as personagens por elas interpretadas são um exemplo de uma das amizades mais belas que o cinema já fez conhecer. Diamonds are a girl's best friends é a música mais famosa do filme e o momento em que Marilyn canta é um dos meus momentos favoritos de toda a história do cinema. Tirando esse número musical, os restantes são apenas razoáveis.


The band wagon (1953)




Divertido e otimista! Qualidades vulgares num musical. Mas The band wagon é mais que isso. Além de ter estas qualidades muitíssimo apuradas, tem uma banda sonora apreciável e a química entre Fred Astaire e Cyd Charisse é muita. O número That's Entertainment é fantástico.


Pal Joey (1957)





História muito simples, interpretações assim assim, tirando a de Frank Sinatra que se mostrou fisicamente muito ao estilo Sinatra. Kim Novak estava a ser explorada pela Columbia de modo a ser a próxima sex symbol do estúdio e rival de Marilyn Monroe. Rita Hayworth, bela mas já um pouco velha para os padrões de Hollywood, consegue, mesmo assim, roubar a atenção do espectador em relação a Kim. Rita Hayworth deveria ser substituída por Kim como estrela da Columbia, mas mesmo assim, a sua sensualidade elegante que Kim nunca atingiu é, ainda, mais captativa que a misteriosa beleza gelada da loira. Eu tenho a dizer, contudo, que Rita não está favorecida no filme (muito maquilhada, com o cabelo atado). Kim nunca esteve tão bela e obviamente que, se não conhecesse nem uma nem outra, diria que, vendo Pal Joey, Kim era a mais bonita. Mas veria também que, apesar disso, Rita roubava as atenções. Porquê gostar deste filme? Eu acho as músicas uma maravilha. Os números musicais não são espectaculares, basicamente só cantam. Mas o estilo jazz do filme é agradável. Um filme elegante e sensual. Frank canta a maravilhosa I could write a book e a famosa The lady is a tramp. Rita canta a divertida Zip e revela a sua beleza na cena de Bewitched, Bothered and Bewilder, num maravilhoso quarto azul e amarelo. Aí os seus cabelos estão soltos, o que permite ao espectador ter uma visão mais aproximada da bela Rita dos anos anteriores em que mostrava ter o cabelo mais belo do cinema. Kim encanta com a triste My funny Valentine. Além das músicas, os cenários e a ideia de um homem estar indeciso entre duas mulheres fascina-me. É um musical com uma história muito simples, mas com muito boas músicas, que o torna um doce filme para relaxar.


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