segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Katherine Hepburn, a mulher forte que veste as calças em qualquer sítio

"Verdadeiramente original e uma das maiores estrelas, Hepburn (1907-2003) era famosa por se recusar a alinhar no jogo de Hollywood. A sua carreira no cinema começou nos anos 30 - ganhou o primeiro dos seus Óscares em 1933.
Depois de uma série de fracassos ficou conhecida por "Veneno das Bilheteiras", algo que apenas se desvaneceu com Casamento Escandaloso. Uma série de filmes com o seu companheiro Spencer Tracy, como A Costela de Adão (1949) e A Mulher Absoluta (1952) capitalizou a química entre o casal e enriqueceu as bilheteiras. Papéis posteriores em A Rainha Africana (1951), Bruscamente no Verão Passado (1959) e Um Leão no Inverno (1968) tornaram-na ainda mais aclamada." (Bergan 2008, 415).



Julgo eu que Katharine Hepburn não é tão icónica quanto Bette Davis ou Ingrid Bergman. Obviamente que é uma grande e famosa atriz, detentora de quatro óscars, façanha não atingida por nenhuma atriz até agora. Uma carreira com bons filmes, sendo, para mim, "Bringing up Baby" a melhor comédia que já vi e um dos filmes que mais gosto. 


A sua presença em cena é forte, assim como os seus traços angulosos e agressivos. Não é, então, estranho entender que a AFI tenha colocado a atriz de "The Philadelphia Story" em primeiro lugar no que respeita às 25 maiores lendas femininas do cinema.


Perante este discurso, parece difícil entender porque razão Katharine não está tão presente na cultura popular quanto Bette Davis, por exemplo, que ocupa o segundo lugar da lista da AFI. Ora, antes de responder a esta questão, quero aqui deixar claro que esta ideia de Hepburn não ter o destaque que eu acho merecido não é uma certeza mas mais uma suposição pessoal. 

Ora cá vamos. Entende-se que a lenda de Bette Davis ocupe maior destaque (vale lembrar a música "Bette Davis eyes") na sociedade uma vez que Davis teve uma carreira, nos tempos de Hollywood dourado, de maior estabilidade, segundo sei. Além disso, a sua presença é igualmente forte, já para não falar dos olhos arregalados da atriz. Esses olhos inspiraram uma canção, que foi sucesso, e são chamativos para o espectador.




Se Marlene Dietrich é andrógina pelas roupas que veste, Hepburn também o é, se  bem que tem outras razões igualmente importantes: a força das suas personagens, a postura masculina perante a câmara (vale referir o filme "Sylvia Scarlett", onde a própria atriz mascara-se de homem) e o facto de ter  sido, dizem algumas bocas, uma mulher bissexual (devo acrescentar que Dietrich tem igualmente a fama de ter tido  casos tanto com homens como com mulheres).



Para mim, deveria ser Bette Davis a maior lenda do cinema. É certo que já vi mais filmes da atriz de "Jezabel" ou de "The letter", mas julgo que a minha opinião dificilmente mudará. As duas tem presenças fortes, mas Bette Davis teve uma postura atrás das câmaras mais bombástica e irreverente. 

















Hepburn sempre será uma grande estrela. A sua força de caráter que está em sintonia com as suas personagens dão-lhe uma aura cativante. Mulher interessante, irreverente. Mascarada de homem fica, de certo modo, convincente e, mesmo de vestido, o seu lado masculino é, todavia, visível. Em miúda, cortou o cabelo à rapaz e chamou-se a ela própria de Jimmy (nome de rapaz).



Traços fortes, assim como o seu caráter, postura nada suave, esta é a Hepburn, tão diferente da coquete e sofisticada Audrey Hepburn. Duas estrelas com o mesmo nome, com bastante talento e igualmente de personalidade forte e encantadora. Mas expressas de forma diferente.

Citação retirada do livro "Cinema" de Ronald Bergn, de 2008 (o original é de 2006) e editado em Portugal pela Civilização

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